E o big brother, meu irmãozão, que maravilha, ensinando a todos nós como arrastar a barriga na lama para encher o bolso de grana fácil, masturbar o ego ao ser conhecido e admirado ser ter realizado nada de verdadeiramente útil. Ou nem isso. Enquanto um antes-disso-tudo-um-zé-arruela-qualquer ganha computadores, dez mil dinheiros e uma moto expondo-se ao ridículo, tem gente que nem bom dia recebe do porteiro, apesar da caixinha de natal, basta imaginar o resto que o buraco é mais embaixo, BEM mais embaixo.
Mas a realidade mesmo é que ninguém minimamente Humano tem paz num mundo como esse que aí está, no qual estamos, eu penso enquanto me obrigo a ler a capa do jornal de hoje (o de ontem também fiquei só na capa), então me percebo boiando na superfície dessa fossa sanitária em que vivemos, mas por mais que me esforce em agradar a gregos e troianos, não tenho nenhuma vontade de mergulhar nesse poço.
Creio que vamos nos tornando cada vez mas lentos frente à crescente velocidade dos fatos e informações: talvez a quantidade de serotonina ou outro neurotransmissor advindo de empréstimo tenha cozinhado esses mesmos miolos que o resto da humanidade luta pra manter em desuso frequente. Pode ser apenas uma impressão passageira, que desparece bem aos poucos...
Sim, eu sei que devia estar trabalhando como todas
as outras formigas do formigueiro, mas estou sentado de frente à máquina que
devora a nós todos,
tentando manter o
pouco que resta da
minha
sanidade, questionando, perpetuando essa ação que todos fomos
inicialmente projetados para desempenhar a fim de nos aprimorarmos como seres,
ao invés de me permitir ser preso à normalidade limitante imposta pelo mundo. Confuso? Você
ainda não viu nada.
Pode começar
pegando um ônibus superlotado a caminho do trabalho mal-remunerado ou
contraproducente em relação à sua pessoa, num dia de calor insuportável. Tudo incomoda,
enjôo e náuseas tipo assim retumbantes.
Eu vou lá e volto logo. Aonde eu vou? Ao Inferno, obrigado por perguntar, espera um pouco que na volta passo pelo Purgatório e te trago um souvenir.
Tsc tsc, que coisa feia recusar um presente oferecido de coração... então segura essa: aí vai mais daquelas velhas reclamações e demonstrações de amargura, angústia e outros sentimentos desagradáveis que insistimos em evitar, ou fazemos de conta que nada disso nos incomoda ou frustra. Dizem por aí que é fácil de pegar o jeito da coisa toda e que não se pode deixar abater. Mais fácil do que falar, não deve ser fazer, é impossível. É bem verdade que o aproveitamento desempenhado dentro do meu crânio é bastante flutuante, com picos numa razão totalmente non sense. Talvez para você, mas, pra mim, eu faço bastante sentido não fazendo sentido algum. A ausência de uma coisa a reafirma. Quer um exemplo bem simples? Saudade. Faz sentido, não faz, sem a intenção ou a obrigação de fazer?
Falando em sentido, Sempre aparece alguém perguntando Mas
qual o sentido da vida?
Ok.
Essa pergunta normalmente é retórica. Mas dá pano pra manga. Achar que podemos desvendar um mistério desse tamanho e complexidade com uma ou duas frases-feitas seria uma dose exagerada de ingenuidade, romantismo ou o quê?
Ok.
Essa pergunta normalmente é retórica. Mas dá pano pra manga. Achar que podemos desvendar um mistério desse tamanho e complexidade com uma ou duas frases-feitas seria uma dose exagerada de ingenuidade, romantismo ou o quê?
Não faço idéia.
Vamos falar de amenidades, isso mesmo: a-me-ni-da-des; que tudo fica bem. Tudo bom. No bem-bom. Amenidades são essa conversa mole pra boi dormir que sempre vai no sentido oposto às coisas sérias e profundas que têm a ver comigo ou você. Segundo o meu moderno dicionário eletrônico Houaiss – isso porque tenho uma queda por definições sucintas – amenidades são temas agradáveis e leves. Desses que todo mundo é chegado. Comprendre vous?
Vou avisando que dou voltas e voltas. Posso até perder o fio da meada,
afinal. Não fique entediado, leitor. Vamos em frente; eu, você
e o mundo em movimento. De elipse: como tudo no Universo sugere.
Creio que tudo que existia em eras antes de nós que aqui estamos, era diferente. Era preto no
branco. Éramos nós contra eles e eles eram bem fáceis de identificar. Não
éramos burros, distraídos, não fugíamos tanto e nem disfarçávamos. Valia a pena
lutar. Ou talvez fosse a mesma bosta fumegante de hoje, e eu
que não estava lá pra ver a real peguei o bonde andando e idealizei em cima de
algo que só pude passar os olhos de relance, ou avistar bem de longe, fora de
foco?
É tudo a mesma coisa na minha visão essencialmente pessoal
do quadro: A mim me parece que hoje,
agora,
perdemos a grande
guerra, nós é que somos os nossos próprios e – pasmem – desconhecidos inimigos, nós é que
somos o mal, por abrirmos as portas, fecharmos os olhos, não dar, não
fazermos por onde dar conta dos fatos reais: que nos abandonamos completamente
rumo à decadência absoluta da espécie, à mesquinharia, ao pedantismo, às
perversões, ao invés de abrirmos os olhos e lutar por seguirmos um caminho à
primeira vista mais escuro, mais tortuoso, perigoso, sem sombra de dúvida, mas que
é trilhado antes por uma escolha ativa
do que um largar de mão resignado;
fato esse que nos põe à deriva, à mercê nossa consciência humana rejeitada, manifestada através de impulsos inconscientes: auto-sabotagem; auto-destruição.
Encaremos o fato de que esta bela porém insensata nau
construída por nossas mentiras carismáticas e nossa dissimulada megalomania não
é o resultado perfeito de nosso grandioso intelecto de Homo Sapiens Sapiens;
pelo contrário: é enormemente atraente aos olhos e por isso nada menos que monumental, mas seu radiante casco de ouro
adornado por pedras preciosas não possui resistência contra a força de uma
tempestade no mar profundo, escuro e infinitamente maior e mais denso que é o
Universo ao redor e afunda a passos cada vez mais largos.
O projeto inicial não foi atingido por conta de nossa
própria soberba e arrogância
de Homem que sabe que sabe, mas curiosamente desconhece o fato de que saber-se
sabedor de TUDO é a mesmíssima coisa que não saber efetivamente de NADA. Esse
desvio absoluto do caráter do projeto resulta nessas nossas vontades cada
vez mais
estranhas, como conceber como normalidade barbaridades cada vez
mais escabrosas, violências hediondas contra nós mesmos, bastando que algo assim aconteça mais de uma vez.
É a represália silenciosa, imimente e constante de
nossa contraparte evoluída – a consciência universal – que não por seu caráter
é menos Humana - que quer nos foder bem forte
e bem fundo,
devagar e sem nos mostrar sua face e mãos.
E nós, os poucos remanescentes do projeto original, que
apenas intuímos parte da essência, somos apanhados nesse fogo-cruzado
existencial, vivendo entre a cruz e a calderinha, pulando da frigideira para o
caldeirão.
O única Verdade absoluta que mora nessa tragicomédia universal é que Tudo tem um Começo e tudo deve ter um Fim. Uma linha que é puxada constantemente até que o carretel se desenrole completamente. O que supõe-se crucial não é somente o fim do caminho, mas a forma como é realizado seu percurso. Nem Começo; nem Fim: mas o Meio. Meio torto, mas sempre em frente. De algum jeito.
Mais um turbihão num dia após vários outros dias secos e estéreis de idéias e inspirações e perda de tempo. Escrevo assim mesmo e dou voltas até você ficar tão confuso que não tenha alternativa a não ser continuar no caminho: Não há regras como que se tudo estivesse escrito em pedra e não possa ser alterado.
Não existe ser humano perfeito que caminhe sobre esse mundo de armadilhas e ilusões, mas parece que esperam sempre que sejamos o ideal inventado e imposto por gente que olha através de janelas de 20 metros de largura sem nada enxergar.
São as velhas dívidas cobradas sempre a curto prazo sem esquecer, é claro das altas taxas de juros. O banco quer que seu dinheiro, seu tempo, sua vida e a sua alma no fim
das contas.
O dinheiro move o mundo, girando engrenagens de metais preciosos demais para
botarmos nossas mãos. É a humanidade mostrando o que tem de melhor, mas apenas para quem pode pagar melhor.
Novas reclamações sobre velhos problemas. Eu fico por aqui pensando que não terminei essa joça direito. Não sou bom com finais mesmo.
